Retorno só hoje, quatro dias após a revelação do amigo secreto da redação, para dizer que NUNCA MAIS participo de tal brincadeira.
Pode até ter sido praga pelo que escrevi, mas fiquei desapontado com o que me aconteceu no último domingo. Eu, simplesmente, não fui tirado por ninguém.
Explico. Tudo se deu por conta de sorteios que foram feitos. Hélio Consolaro, cronista da Folha da Região e exímio professor de português, simplesmente, confundiu um com o outro e eu só não fiquei sem presente porque Arnon Gomes acabou ganhando dois presentes e me deu um.
Hélio pensou que, no segundo sorteio, havia tirado Arnon. Só que, na verdade, havia me sorteado. Misturou as bolas e deu no que deu.
Na hora, fiquei profundamente chateado. Mas, passou. Entendi.
Quando começou a revelação dos secretos amigos, até brinquei com um e outro, só que foi chegando perto do fim e nada acontecia comigo. Fiquei desapontado.
Por essas e outras, escrevi tudo isso do texto abaixo. Juro que até havia refletido sobre tal texto, mas, agora, tenho certeza de que estava certo. Mais que certo, na verdade.
Por essas e outras, estou decidido. Não participo mais. E podem me chamar de chato.
A partir de hoje, ou melhor, desde domingo, sou do time daqueles que se recusam a brincar disso, como meus amigos Cris Camargo e Alexandre Souza. Este, ainda pior, pois pegou trauma de saboneteiras.
Vamos lá, escrever coisas bestas. Bem bestas, feito os tradicionais, às vezes interessantes, fatídicos, enjoativos, adjetivos afins, amigos secretos de final de ano. Amanhã, aqui em Araçatuba, é dia. O pessoal do jornal se reúne em confraternização para revelar aquilo que só Sherlock Holmes deveria descobrir.
Daí, a besteira da coisa. Até porque, de secreto, o amigo típico de fim de ano não tem nada. É só um tirar o papelzinho para o outro já colar no ouvido perguntando quem é. Coisa sem graça, apesar de não negar que sempre faço o mesmo.
Acho que amigo secreto deveria ter, na prática, o significado único da palavra, sigilo. Gostava daquelas coisas de deixar bilhetinhos na caixinha. Era engraçado. Dava para enganar e aguçava o imaginário. Mas isso já não se vê mais.
Apesar de participar amanhã da revelação, confesso que não há em mim entusiasmo para a coisa. Só que também não poderia ser ignorante o bastante para não aceitar a brincadeira. Seria demais ir à confraternização, ver todos se divertindo e eu bancando o gostosão, do lado de fora, amargando um egocentrismo dispensável.
Vou lá e bancarei o simpático, como de fato o sou (hehe...), com meu amigo, ou amiga, sei lá. Até porque, a pessoa, muito bacana, não tem nada a ver com o que penso sobre tal brincadeira de confraternização.
Confesso que até estou meio ansioso. Quero saber o que vou ganhar. Mas, para ser sincero, procuro não pensar o que vem por aí. Pode agradar demais ou ser uma decepção sem tamanho. Mas, ainda assim, será válido.
Quanto ao presente que vou dar, digo de antemão que não o vi direito, pois não fui eu quem o comprou. Aliás, se tivesse, teria sido um só. Mas, como não, a pessoa sortuda vai levar dois para casa.
Ainda na linha chata de raciocínio sobre amigo secreto, falemos então das listas de presentes. No mural da redação tem pregada uma relação. O presente mais curioso que pediram é um vaso de concreto para jardim. Exagero, ao meu ver, mas, gosto é gosto e cada um tem seu nariz.
Essas listas nunca são verdadeiras. Lá sempre predominam pedidos de CDs, livros, o mesmo do mesmo de sempre. Certo foi aquele que pediu uma garrafa de vinho. Se a fasta se estender, será morta lá mesmo.
Mas, o mais chato da lista é quando um engraçadinho vai até ela e fica anotando tudo aquilo que gostaria de ganhar, nos nomes dos demais colegas. A isso, me falta paciência. É desrespeito.
Acho que as listas não deveriam existir, apesar de até terem finalidade. E aí me vejo obrigado a concordar com minha editora Maira Cibele. Diz ela: “Imagina. Sem essa lista, o risco de você ganhar algo que não gosta ou muito inferior ao que vai dar de presente, é grande.” E é mesmo.
Visão que me remete à quinta séria. Tarde de uma sexta-feira, final de ano, escola pública de Barbosa, revelação. Ao colega Fausto, comprei uma lapiseira que nunca havia tido igual. Ele ficou feliz, gostou.
Do meu presente que ganhei, odiei. Mas entendo a Magali, sua simplicidade e cabeça avoada. Tive vontade de chorar quando abri o pacotinho e me deparei com um chaveiro transparente, de cor alaranjada, parecido com os que são distribuídos em campanhas políticas.
Explicada aí minha cisma com amigo secreto?
Preguiça. Palavra que define minha ausência desse espaço ultimamente.
Mas, nada melhor que os dias para nos livrar da estagnação. Ainda mais quando se tem motivos, nem que tristes, para se escrever alguma coisa.
Há uma semana, as notícias notícias que tomaram conta da minha vida não foram foram das melhores. Não dizem respeito a mim, diretamente, mas a amigos.
Fernanda, Reinaldo e Odi, três companheiros foram demitidos, e Luly transferida. O clima na redação na última semana foi terrível. A graça de outrora sumiu, essa é a verdade. E os questionamentos são intermináveis.
Dos que foram, a pergunta é: por que foram?
Sobre os que ficam: porque ficaram?
E é bem verdade que não tenho respostas, por mais que elas sejam, forçadamente ou não, expostas.
A única coisa que tenho certeza é de que nada material é eterno. Disse bem, material. Porém, tudo que envolve sentimento é eterno.
E é assim, para a eternidade, levarei comigo lembranças e amizades de Fernanda, Reinando, o nosso Mancha, e Odi, ou Odersides -- como diz seu registro de nascimento.-- e Luly, a Lulão.
Falando um pouco de cada um, posso resumir que são pessoas maravilhosas. Geniosas ou calmas demais, isso é o de menos. O que importa é que são autênticas. E isso me causa admiração.
Fernanda é uma das pessoas de gênio mais forte que já conheci, apesar de ela não adimitir (hehehe...). Com ela não há papas na língua. É oito ou oitenta.
Por ser assim, e por eu também ser assim, tivemos uma discussão que serviu muito para o aprendizado. Ficamos semanas sem nos falar por coisas bestas, para variar, de trabalho.
A reconciliação ganhava forças dias antes de sua demissão. No dia, precisamente, acredito que se deu por completo. E não resisti. Juntos, choramos ao telefone. E tudo parece estar bem e assim deve continuar.
De Reinaldo, suas poucas palavras não me deixaram conhecê-lo melhor. Às vezes, acredito que seja uma imensa interrogação que nem ele mesmo saiba traduzir. Só que é daquelas pessoas que deixam falar pela alma e não pelo que simplesmente sai da boca.
Mancha, como eu e João Feza -- nosso editor -- o chamamos desde que apareceu na redação com uma radiografia da cabeça que deixava clara uma sinusite gigantesca, é uma inteligência sem tamanho que poucos descobriram.
Para alguns, um louco retraído. Para outros, um louco incompreendido. Para mim, um louco encantador a quem também se faz louco. Para ele mesmo, sei lá, acho que um simples louco.
Sobre Odi, as palavras são curtas e diretas. Pau para toda obra, era a palha de aço que todos jamais imaginavam que se enferrujaria nessa empresa. Um cara espetacular.
Da Luly, até poderia reclamar, pois ele é mala. Só que com o tempo passei a compreender sua “malice” e vi que tudo aquilo se resume em carência. Ela sabe que tem todos ao alcance e sabe, ao mesmo tempo, que todos se fazem distantes. Só não descobriu como lidar com isso, ainda.
Enfim, o que importa que são o que são.
E garanto que, diferente de tantos, não ficarão num simples passar pela minha vida.
Posso não saber definir em palavras o que representam para mim.
Mas sei sentir. E o que sinto por cada um é verdadeiro.
Compreendido ou não, só eu sei. E que bom que sei.
A informação é reveladora e pode acabar com o encanto de muita gente. Mas, pasmem: o Zé Gotinha é ela.
Isso mesmo. E pude comprovar isso pessoalmente nessa terça-feira.
Cheguei à redação do BOM DIA por volta das 14h. Meu editor me chamou a sua mesa e disse: “sua pauta será a visita do Zé Gotinha à cidade”.
Para quem já cobriu política, polícia, judiciário e todos os buracos que se possa imaginar das ruas de Araçatuba e Bauru, o máximo que poderia fazer era aceitar de boa. Só que tentei resistir.
Xingando -- e olha que não xingo quase nada --, fui ao Bauru Shopping acompanhado do fotógrafo Luís Cardoso enfrentar a missão de cobrir a visita do Zé e de sua companheira Maria Gotinha.
Ao chegar lá, vendo aqueles bonecos com cabeças imensas, imaginei como seria sofrível enfrentar o calor dentro de uma fantasia daquelas.
Daí veio o gancho para a pauta, movido por uma curiosidade que, certamente, causou surpresa quando o BOM DIA quarta-feira circulou pela cidade.
Fui saber quem passava por tanto sufoco e sofrimento. E depois de pedir autorização à assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, descobri que o Zé é, na verdade, uma Zéza.
Débora, de Paula, 45 anos, mãe de três filhos, é quem há 13 anos se passa por homem na pele de pelúcia do personagem responsável por encantar e arrancar sorrisos das crianças, em postos de saúde, nos dias de campanha de vacinação.
Pronto! Tinha a matéria.
Débora é funcionária do Estado e começou como ajudante de outras pessoas que incorporavam o personagem. Até que um dia sobrou.
Ela gosta do que faz, isso é fato, só que tem lá suas queixas.
A roupa é uma delas. Que o diga a visita ao Poupatempo de Campinas seis anos atrás. Foi um apuro só, mas deixa que ela mesma conta...
“Eu estava no piso térreo, rodeada por crianças que me pisavam nos pés, puxavam pelos braços e agarravam pelo resto do corpo quando fui surpreendida por uma baita dor de barriga. Longe da pessoa que me ajudava, por sorte estava próxima do banheiro, mas a chegada até o vaso foi longa.”
Débora, simplesmente, teve de arrastar a criançada junto. À porto do tão desejado banheiro, recebeu ajuda e, feito que disputa prova dos 100 metros rasos, partiu em disparada ao sanitário. “Só que tinha muita roupa para tirar, além dessa cabeça imensa. Suei mais que devia, mas deu. Foi o tempo de tirar tudo, abaixar a calça e me sentar para a paz eterna”, brinca o próprio drama.
Essa ela garante que foi a situação mais complicada que já passou. Tanto que em dias de apresentação, nada de comer feijoada no almoço. Só frutas, legumes e muita água e suco para hidratar.
Só que vida de boneco não é fácil. Que o digam os bonecões de postos de combustível.
E para boneco de cabeça grande, a situação é igual. Né, Débora? Ou melhor, pedala Débora. “Isso me deixa um pouco nervosa,, mas sem perder a calma. Mas que é chato estar brincado com uma criança e vir um grandinho e lhe mandar um 'pedala' na nuca, isso é”, diz.
Além da dor de barriga, os tais “pedalas” são encarados como sina.
Sina, por sinal, que ela faz questão de garantir que só mulher suporta.
Santo Zé de alma feminina. Com a alma de Débora. Pois, se tivesse a minha, ele, que é ela, já não existiria mais...
Domingo passado, em Barbosa, cidade onde mora minha avó, tive oportunidade de voltar à infância com um gosto todo especial. Gosto de arte.
Não passava de 11h30 quando, sentados debaixo de uma árvore, na calçada, eu e minha tia Altair nos deixamos voltar aos tempos de criança e decidimos fazer arte de gente grande, “roubando” uma carroça que estava parada diante da casa de um vizinho.
“Ricardo (é assim que minha família me chama), vamos “roubar” essa carroça para dar uma volta?”, disse ela, sem esperar qualquer reação positiva de minha parte.
De imediato, contrariando sua imaginação, aceitei a proposta.
“É sério que você topa?”, voltou a perguntar, ainda sem acreditar.
Minha resposta foi novamente positiva, já caminhando em direção à carroça.
Sem dúvidas, deixei aflorar na mente meus tempos de infância. Mais ainda, aqueles que passei na fazenda Avanhandava, à margem direita do rio Tietê, em José Bonifácio.
Naquela época, a carroça fazia parte da minha vida e da maioria das crianças e adolescentes que dela usavam para ir até o ponto do ônibus que nos levava para a escola.
Minha casa era distante da sede. Por isso, todos os dias, um dos tratadores do haras da fazenda se encarregava de buscar a mim e minha irmã. Era sempre uma diversão.
Diversão minha, lógico. Só que motivo de muita raiva para ela, que, na juventude, ficava incomodada quando a poeira acumulada nas madeiras da carroça sujavam sua roupa.
Moleque, nunca estive nem aí para sujeira. Pelo contrário. Parece que fazia questão de chegar bem sujo à escola. Talvez, para justificar que era mesmo da roça.
Só que dessa época também guardo frustrações. Nos sete anos que morei naquela fazenda, nunca tive a oportunidade e arrear sozinho um cavalo nem mesmo de prendê-lo a uma carroça.
Carroça que, por sinal, também nunca conduzi sozinho, dando a ela a velocidade que quisesse, fazendo o caminho que quisesse.
Felizmente, os anos se passam, a vida muda, e as oportunidades ressurgem em nossas vidas, de formas surpreendentes, como no último domingo.
A idéia de “roubar” a carroça não deu muito certo. Quando eu e minha tia já estávamos acomodados sobre ela, o dono apareceu.
Só que, para nossa felicidade, não deu broncas nem falou qualquer coisa que nos fizesse mudar de idéia.
Gentilmente, com simpatia peculiar de gente da roça, se ofereceu a nos acompanhar no passeio, como um simples passageiro.
O passeio se deu por poucas quadras da pequena Barbosa. Só que valeu demais à pena.
Depois de tantos anos, tive a certeza de que, apesar de até demorar anos, vontades são passíveis de realizações.
Com a rédea em mãos pude, enfim, “pilotar” sozinho uma carroça, como sempre quis na infância.
Feito criança, deixei-me embalar em apenas uma das vontades que adormecem em mim.
Como gente grande, fico com a certeza de que todas elas só esperam a vontade do tempo para se fazerem verdades.
Quero muitas coisas na vida.
Coisas até bem simples, mas que se passaram há tempos. Coisas que me fazem falta, que quero de volta.
Quero coisas como o colo de irmã que Ellen Calemes sempre me dava em Araçatuba, com um ligeiro e delicioso cafuné para espantar a tristeza.
Quero tulipas e mais tulipas de chope com Liza Mirella, na padoca da Pompeu de Toledo, para desapertar o peito e queixar-se das encheções do dia.
Quero a loucura, inteligência e bebedeira da Alessandra Nogueira, amiga para todas as horas desde que de bom humor.
Quero os pudins de leite condensado que o Tilim levava para a redação sempre que voltada do almoço.
Quero comer caixas e mais caixas de morando com Karenine Miracelly, entre uma matéria e outra.
Quero ser importunado por Eloysa Morales, perguntando o que tenho de comer escondido na gaveta.
Quero a bondade e sinceridade do Deroci Camargo, me pedindo “vintão” para pagar a conta de luz que está atrasada.
Quero as pamonhas da mãe do Carlão.
Quero a tranqüilidade do Chico Trajano e seu sotaque nordestino cantando Tetê Espíndola.
Quero as gargalhadas do Xandão, provocando e divertindo quem encontra pela frente.
Quero a chatice do Valdivo Pereira.
Quero o mau-humor de Maira Cibele, sua inteligência e simpatia que poucos conhecem.
Quero de volta a amizade e os carinhos da Fernanda Mariano.
Quero olhar de novo para o Zé Marcos e ter a certeza de que, quando quer, ele é mala para caralho.
Quero o companheirismo do Thiago Hargreaves, amigo dos bons.
Quero a sabedoria de Fernando Lemos.
Quero os tubos de Herbalife do André.
Quero ouvir Mário Policeno dizer “ô lôco, meu!”
Quero conviver, de novo, com a calmaria do Marcelo Espinosa.
Quero o humor sarcástico do Marcelo de Souza.
Quero ver o Wesley se livrar dos melindres.
Quero o sorriso apaixonante da Ágatha Urzedo.
Quero abraçar Angélica Martins e pedir seu remédio de cólicas para curar minha dor de cabeça.
Quero encontrar com a Cris no corredor e a ouvir me perguntar qual será a balada do dia.
Quero, nesse mesmo corredor, sentir o perfume da Jucilene.
Quero parar na recepção, ficar conversando com a Daniele e poder imaginar novamente seu beijo.
Quero ver, de longe, o Marini coçando sua careca e dar muita risada disso.
Quero a doçura da Nathália Prado.
Quero chegar à recepção da Câmara, debruçar-me no balcão e ficar a observar o sorriso conquistador da Jéssica.
Quero entrar no gabinete do Mardegan e bisbilhotar sobre política.
Quero bater à porta do Dunga e ter a certeza de que faz silêncio só para não me atender.
Quero sentar-me à mesa do Marcelo Andorfato e ficar levantando informações para boas matérias.
Quero a beleza da Kiki.
Quero a esperteza e malandragem do novato vereador Marcos Salatino.
Quero até ouvir, de novo, as histórias do Maluly Netto em seus tempos jurássicos de política.
Quero encostar o umbigo no balcão do boteco mais sujo da Rodoviária de Araçatuba e lá comer o bolinho de carne mais delicioso da cidade.
Quero chegar no condomínio onde morava e comer pão francês com a salsichada feita pelo Oswaldão.
Quero dar cascudos no Fabinho e me deliciar com sua ingenuidade.
Quero ouvir, de longe, as modas de viola ecoando da caminhonete do Devinha Brutão.
Quero ver o Nelsinho chegando bêbado em casa, carregando garrafa do pior uísque da praça e dizendo “bebe aí, véio!”...
Quero sentar-me às tardes de sábado, no Barril, e beber sem pressa e compromisso com meu grande amigo Mané.
Quero ver o Beto Jones esfregando as mãos e chamando qualquer um de “jow”.
Quero até ver o Mineiro comendo sua meia marmita e largando a louça suja sobre a pia.
Quero ouvir a voz rouca da Camila dizendo que gosto de qualquer tipo de música.
Quero sentir os beijos doces da Patrícia e perguntar-me por que não namorei de verdade aquela menina que tanto me quis.
Quero ligar para o Nelson, chama-lo de “Preto”, e ouvir suas lamentações por falta de dinheiro e mulheres. De preferência, sentados num boteco bem boteco.
Quero ter, cada dia mais, a certeza de que esse “Preto” é meu melhor amigo.
Quero lembrar dos tempos em que passava horas na companhia do Luisinho e do Márcio Japonês, tocando violão e atabaque em frente de casa.
Quero reviver as discussões com Lupércio e Cebola nos ensaios das peças de teatro que me metia a escrever.
Quero bancar o compositor de músicas católicas e ter a companhia do Luisinho inventando acordes.
Quero aquele Luisinho, sua inteligência, carência, fragilidade e homossexualidade sempre respeitada pela minha família, vivo novamente.
Quero reviver os tempos de cursinho e matar aulas para tomar uísque e vodka com os amigos no Lanchódromo.
Quero as aulas de português da professora Marly.
Quero ouvir o China me chamando de “animal” após corrigir meus textos no primeiro ano de estágio.
Quero pegar as muletas do Emerson para apostar corrida com Wilson Guilherme e suas pernas mecânicas, já que perdeu as carnais em acidente de trânsito.
Quero sair com Elaine Madalhano para gritar muito pelas ruas de Rio Preto.
Quero ver Alex Zancanner olhar nos meus olhos e me chamar de "podre", como fazia com qualquer um.
Quero ouvir Silvana Abreu dizer “dá licença, menino”, com sua voz toda fanhosa.
Quero me juntar a Anilson, Máximo, Fricote e Renatão e fazer churrasco nos fundos da Folha de Rio Preto, em pleno horário de trabalho.
Quero aprender com as loucuras do Cri e sua necessidade visceral por maconha.
Quero fazer macarrão para Nathália Ziviani e a receber em casa sempre que o Bentão insistir em não busca-la na rodoviária.
Quero passar horas teclando pelo msn com a Hellen Ventura.
Quero ser novamente jogado na piscina em festa de confraternização do BOM DIA.
Quero paquerar Karla Konda e atrair o ódio de Gicelli e Estela Ferreira.
Quero, por sinal, ter carinho eterno por Estela Ferreira.
Quero, muito, entender Estela Ferreira e sua mente brilhante..
Quero colo da Dona Maria e beijar sua boca em dia de festa.
Quero, um dia, ter a humildade e simplicidade do Seo Sergio.
Quero sempre amar minha irmã Elaine.
Quero voltar aos tempos de Sergio Ricardo Guzzi, obeso, e tentar imaginar o “magrinho” que sou hoje.
Falando nisso, quero voltar a comer lanches, pizzas e marmitex com Rodrigo Pereira durante aso edições do jornal Primeira Hora, na Rádio Tietê AM, em Araçatuba.
Quero ouvir o Waltinho trocando Tietê por Excelsior ao dizer o nome da rádio em pleno ar.
Quero a Gina do meu lado, com sua sensibilidade de criança, sensatez de gente grande e coração que só pede um pouco de carinho.
Quero continuar chorando quando sentir vontade.
Quero dar risadas com aqueles que me fazem bem.
Quero, para sempre, os amigos que fiz aqui no BOM DIA de Bauru.
Quero que seja eterna a amizade virtual de Clara Vanali, assim como suas dúvidas sobre crase.
Quero reviver os tempos de criança e ser amparado pelos braços do doutor Lélio, na Santa Casa de Marília.
Quero tudo da mesma forma, como vivi até hoje.
Quero jamais me condenar por saber que muito poderia ter sido diferente.
Quero, justamente, ser assim. Diferente feito cada respirar.
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