AMIGO SECRETO? MELHOR, NÃO...

Retorno só hoje, quatro dias após a revelação do amigo secreto da redação, para dizer que NUNCA MAIS participo de tal brincadeira.

 

Pode até ter sido praga pelo que escrevi, mas fiquei desapontado com o que me aconteceu no último domingo. Eu, simplesmente, não fui tirado por ninguém.

 

Explico. Tudo se deu por conta de sorteios que foram feitos. Hélio Consolaro, cronista da Folha da Região e exímio professor de português, simplesmente, confundiu um com o outro e eu só não fiquei sem presente porque Arnon Gomes acabou ganhando dois presentes e me deu um.

 

Hélio pensou que, no segundo sorteio, havia tirado Arnon. Só que, na verdade, havia me sorteado. Misturou as bolas e deu no que deu.

 

Na hora, fiquei profundamente chateado. Mas, passou. Entendi.

 

Quando começou a revelação dos secretos amigos, até brinquei com um e outro, só que foi chegando perto do fim e nada acontecia comigo. Fiquei desapontado.

 

Por essas e outras, escrevi tudo isso do texto abaixo. Juro que até havia refletido sobre tal texto, mas, agora, tenho certeza de que estava certo. Mais que certo, na verdade.

 

Por essas e outras, estou decidido. Não participo mais. E podem me chamar de chato.

 

A partir de hoje, ou melhor, desde domingo, sou do time daqueles que se recusam a brincar disso, como meus amigos Cris Camargo e Alexandre Souza. Este, ainda pior, pois pegou trauma de saboneteiras.

AMIGO NADA SECRETO

Vamos lá, escrever coisas bestas. Bem bestas, feito os tradicionais, às vezes interessantes, fatídicos, enjoativos,  adjetivos afins, amigos secretos de final de ano. Amanhã, aqui em Araçatuba, é dia. O pessoal do jornal se reúne em confraternização para revelar aquilo que só Sherlock Holmes deveria descobrir.

 

Daí, a besteira da coisa. Até porque, de secreto, o amigo típico de fim de ano não tem nada. É só um tirar o papelzinho para o outro já colar no ouvido perguntando quem é. Coisa sem graça, apesar de não negar que sempre faço o mesmo.

 

Acho que amigo secreto deveria ter, na prática, o significado único da palavra, sigilo. Gostava daquelas coisas de deixar bilhetinhos na caixinha. Era engraçado. Dava para enganar e aguçava o imaginário. Mas isso já não se vê mais.

 

Apesar de participar amanhã da revelação, confesso que não há em mim entusiasmo para a coisa. Só que também não poderia ser ignorante o bastante para não aceitar a brincadeira. Seria demais ir à confraternização, ver todos se divertindo e eu bancando o gostosão, do lado de fora, amargando um egocentrismo dispensável.

 

Vou lá e bancarei o simpático, como de fato o sou (hehe...), com meu amigo, ou amiga, sei lá. Até porque, a pessoa, muito bacana, não tem nada a ver com o que penso sobre tal brincadeira de confraternização.

 

Confesso que até estou meio ansioso. Quero saber o que vou ganhar. Mas, para ser sincero, procuro não pensar o que vem por aí. Pode agradar demais ou ser uma decepção sem tamanho. Mas, ainda assim, será válido.

 

Quanto ao presente que vou dar, digo de antemão que não o vi direito, pois não fui eu quem o comprou. Aliás, se tivesse, teria sido um só. Mas, como não, a pessoa sortuda  vai levar dois para casa.

 

Ainda na linha chata de raciocínio sobre amigo secreto, falemos então das listas de presentes. No mural da redação tem pregada uma relação. O presente mais curioso que pediram é um vaso de concreto para jardim. Exagero, ao meu ver, mas, gosto é gosto e cada um tem seu nariz.

 

Essas listas nunca são verdadeiras. Lá sempre predominam pedidos de CDs, livros, o mesmo do mesmo de sempre. Certo foi aquele que pediu uma garrafa de vinho. Se a fasta se estender, será morta lá mesmo.

 

Mas, o mais chato da lista é quando um engraçadinho vai até ela e fica anotando tudo aquilo que gostaria de ganhar, nos nomes dos demais colegas. A isso, me falta paciência. É desrespeito.

 

Acho que as listas não deveriam existir, apesar de até terem finalidade. E aí me vejo obrigado a concordar com minha editora Maira Cibele. Diz ela: “Imagina. Sem essa lista, o risco de você ganhar algo que não gosta ou muito inferior ao que vai dar de presente, é grande.” E é mesmo.

 

Visão que me remete à quinta séria. Tarde de uma sexta-feira, final de ano, escola pública de Barbosa, revelação. Ao colega Fausto, comprei uma lapiseira que nunca havia tido igual. Ele ficou feliz, gostou.

 

Do meu presente que ganhei, odiei. Mas entendo a Magali, sua simplicidade e cabeça avoada. Tive vontade de chorar quando abri o pacotinho e me deparei com um chaveiro transparente, de cor alaranjada, parecido com os que são distribuídos em campanhas políticas.

 

Explicada aí minha cisma com amigo secreto?

 

O RETORNO

Não poderia ser outro o título desse texto. Até porque, no último mês, retorno tem sido uma palavra bastante significativa.

Voltar a escrever neste tão abandonado blog é um dos significados. Mas, o mais marcante é o meu retorno a Araçatuba. Depois de dois anos colhendo experiências e encantadoras amizades em Bauru, voltei à Terra do Boi Gordo, hoje Terra da Cana Verde, para continuar uma carreira profissional por aqui exercida durante quatro anos.

Esta semana completei um mês de volta à cidade e à Folha da Região, jornal de onde saí para me arriscar profissionalmente no jornal Bom Dia, de Bauru. Confesso que esse regresso já era namorado há algum tempo. E acho, cada vez mais, que entregar-me a ele fou uma decisão correta.

Voltei a trabalhar numa seara à qual já estava acostumado: a política araçatubense. Meio onde conheço pessoas dos mais diversos tipos, personalidades e índoles. Sem falar dos raros simpatizantes e outros tantos algozes.

Mas, tudo isso faz parte. Nessa, tenho descoberto, com o passar dos dias, que muita coisa mudou. Em mim, especialmente.

Dia desses, entrei no gabinete de um vereador e comecei a conversar com sua secretária. Ela me perguntava porque estava tão sério. Disse que voltei diferente de Bauru.

De início concordei, mas em seguida mudei de opinião. Na verdade acho que estou reconhecendo o terreiro (hehehe...). Até porque, em política, ter um pé atrás é regra.

Mas até que a recepção no meio político foi boa. No meu primeiro dia de trabalho, um vereador que sempre se julgou perseguido pelo meu trabalho, fez questão de dispensar segundos preciosos de seu discurso na Tribuna para ressaltar minha volta. Feliz de mim que tudo aquilo não passou de teatro, pois semanas depois ele usou do mesmo espaço para metralhar-me. Aí, sim, feliz de mim, mesmo..

Acho que enfrentar a tirania política me fazia falta. Sei lá, mas não costumo temer ameaça de quem detem o “poder”. Trata-las com ironia é uma especialidade. E tudo isso me faz vibrar. Comportamento necessário em minha vida de jornalista. Gosto da matéria que dá tesão. E pronto.

Mas isso, quando se tem respaldo, claro. E é o que tenho encontrado na Folha, assim como tinha no Bom Dia.

No início do ano tive a oportunidade de receber em minha casa, em Bauru, a atual editora-chefe do jornal, Maria Antônia. Iniciávamos lá conversas que levaram à concretização de um interesse de ambas as partes há um mês.

Maria esteve em minha casa por duas vezes. Da primeira, conversamos por pouco mais de uma hora. Da segunda, foram quinze minutos e uma decisão: a de que voltar era o que eu queria.

E o melhor dessa volta não é só a questão profissional. Se tem uma coisa que fiz por aqui foi amigos. Bons amigos. Parceiros, companheiros de trabalho, de loucuras (até porque ninguém é de ferro...) e de planos para o futuro.

Não vou enumerar aqui as pessoas que fazem parte da minha vida araçatubense. Mas, posso garantir que são muitos. Na verdade, todos aqueles que me conhecem. Alguns, lógico, com afinidades mais próximas e especiais. Outros, com tudo ainda a ser conquistado. E é aí que está o grande barato das relações.


Quero que meu novo ciclo em Araçatuba seja bom como o primeiro e também como minha passagem por Bauru. Será um novo período de conquistas e de buscas por coisas boas. E para isso, quero que todos os meus sejam sempre meus, compartilhando por igual dessa nova etapa da vida.
SENTIR É O QUE VALE

Preguiça. Palavra que define minha ausência desse espaço ultimamente.


Mas, nada melhor que os dias para nos livrar da estagnação. Ainda mais quando se tem motivos, nem que tristes, para se escrever alguma coisa.


Há uma semana, as notícias notícias que tomaram conta da minha vida não foram foram das melhores. Não dizem respeito a mim, diretamente, mas a amigos.


Fernanda, Reinaldo e Odi, três companheiros foram demitidos, e Luly transferida. O clima na redação na última semana foi terrível. A graça de outrora sumiu, essa é a verdade. E os questionamentos são intermináveis.


Dos que foram, a pergunta é: por que foram?


Sobre os que ficam: porque ficaram?


E é bem verdade que não tenho respostas, por mais que elas sejam, forçadamente ou não, expostas.


A única coisa que tenho certeza é de que nada material é eterno. Disse bem, material. Porém, tudo que envolve sentimento é eterno.


E é assim, para a eternidade, levarei comigo lembranças e amizades de Fernanda, Reinando, o nosso Mancha, e Odi, ou Odersides -- como diz seu registro de nascimento.-- e Luly, a Lulão.


Falando um pouco de cada um, posso resumir que são pessoas maravilhosas. Geniosas ou calmas demais, isso é o de menos. O que importa é que são autênticas. E isso me causa admiração.


Fernanda é uma das pessoas de gênio mais forte que já conheci, apesar de ela não adimitir (hehehe...). Com ela não há papas na língua. É oito ou oitenta.


Por ser assim, e por eu também ser assim, tivemos uma discussão que serviu muito para o aprendizado. Ficamos semanas sem nos falar por coisas bestas, para variar, de trabalho.


A reconciliação ganhava forças dias antes de sua demissão. No dia, precisamente, acredito que se deu por completo. E não resisti. Juntos, choramos ao telefone. E tudo parece estar bem e assim deve continuar.


De Reinaldo, suas poucas palavras não me deixaram conhecê-lo melhor. Às vezes, acredito que seja uma imensa interrogação que nem ele mesmo saiba traduzir. Só que é daquelas pessoas que deixam falar pela alma e não pelo que simplesmente sai da boca.


Mancha, como eu e João Feza -- nosso editor -- o chamamos desde que apareceu na redação com uma radiografia da cabeça que deixava clara uma sinusite gigantesca, é uma inteligência sem tamanho que poucos descobriram.


Para alguns, um louco retraído. Para outros, um louco incompreendido. Para mim, um louco encantador a quem também se faz louco. Para ele mesmo, sei lá, acho que um simples louco.


Sobre Odi, as palavras são curtas e diretas. Pau para toda obra, era a palha de aço que todos jamais imaginavam que se enferrujaria nessa empresa. Um cara espetacular.


Da Luly, até poderia reclamar, pois ele é mala. Só que com o tempo passei a compreender sua “malice” e vi que tudo aquilo se resume em carência. Ela sabe que tem todos ao alcance e sabe, ao mesmo tempo, que todos se fazem distantes. Só não descobriu como lidar com isso, ainda.


Enfim, o que importa que são o que são.


E garanto que, diferente de tantos, não ficarão num simples passar pela minha vida.


Posso não saber definir em palavras o que representam para mim.


Mas sei sentir. E o que sinto por cada um é verdadeiro.


Compreendido ou não, só eu sei. E que bom que sei.

O ZÉ GOTINHA É ELA

A informação é reveladora e pode acabar com o encanto de muita gente. Mas, pasmem: o Zé Gotinha é ela.

Isso mesmo. E pude comprovar isso pessoalmente nessa terça-feira.

Cheguei à redação do BOM DIA por volta das 14h. Meu editor me chamou a sua mesa e disse: “sua pauta será a visita do Zé Gotinha à cidade”.

Para quem já cobriu política, polícia, judiciário e todos os buracos que se possa imaginar das ruas de Araçatuba e Bauru, o máximo que poderia fazer era aceitar de boa. Só que tentei resistir.

Xingando -- e olha que não xingo quase nada --, fui ao Bauru Shopping acompanhado do fotógrafo Luís Cardoso enfrentar a missão de cobrir a visita do Zé e de sua companheira Maria Gotinha.

Ao chegar lá, vendo aqueles bonecos com cabeças imensas, imaginei como seria sofrível enfrentar o calor dentro de uma fantasia daquelas.

Daí veio o gancho para a pauta, movido por uma curiosidade que, certamente, causou surpresa quando o BOM DIA quarta-feira circulou pela cidade.

Fui saber quem passava por tanto sufoco e sofrimento. E depois de pedir autorização à assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, descobri que o Zé é, na verdade, uma Zéza.

Débora, de Paula, 45 anos, mãe de três filhos, é quem há 13 anos se passa por homem na pele de pelúcia do personagem responsável por encantar e arrancar sorrisos das crianças, em postos de saúde, nos dias de campanha de vacinação.

Pronto! Tinha a matéria.

Débora é funcionária do Estado e começou como ajudante de outras pessoas que incorporavam o personagem. Até que um dia sobrou.

Ela gosta do que faz, isso é fato, só que tem lá suas queixas.

A roupa é uma delas. Que o diga a visita ao Poupatempo de Campinas seis anos atrás. Foi um apuro só, mas deixa que ela mesma conta...

“Eu estava no piso térreo, rodeada por crianças que me pisavam nos pés, puxavam pelos braços e agarravam pelo resto do corpo quando fui surpreendida por uma baita dor de barriga. Longe da pessoa que me ajudava, por sorte estava próxima do banheiro, mas a chegada até o vaso foi longa.”

Débora, simplesmente, teve de arrastar a criançada junto. À porto do tão desejado banheiro, recebeu ajuda e, feito que disputa prova dos 100 metros rasos, partiu em disparada ao sanitário. “Só que tinha muita roupa para tirar, além dessa cabeça imensa. Suei mais que devia, mas deu. Foi o tempo de tirar tudo, abaixar a calça e me sentar para a paz eterna”, brinca o próprio drama.

Essa ela garante que foi a situação mais complicada que já passou. Tanto que em dias de apresentação, nada de comer feijoada no almoço. Só frutas, legumes e muita água e suco para hidratar.

Só que vida de boneco não é fácil. Que o digam os bonecões de postos de combustível.

E para boneco de cabeça grande, a situação é igual. Né, Débora? Ou melhor, pedala Débora. “Isso me deixa um pouco nervosa,, mas sem perder a calma. Mas que é chato estar brincado com uma criança e vir um grandinho e lhe mandar um 'pedala' na nuca, isso é”, diz.

Além da dor de barriga, os tais “pedalas” são encarados como sina.

Sina, por sinal, que ela faz questão de garantir que só mulher suporta.

Santo Zé de alma feminina. Com a alma de Débora. Pois, se tivesse a minha, ele, que é ela, já não existiria mais...

VONTADES QUE ESPERAM O TEMPO
Lembranças da infância sempre são bem-vindas. Ainda mais quando podemos revivê-las.

Domingo passado, em Barbosa, cidade onde mora minha avó, tive oportunidade de voltar à infância com um gosto todo especial. Gosto de arte.

Não passava de 11h30 quando, sentados debaixo de uma árvore, na calçada, eu e minha tia Altair nos deixamos voltar aos tempos de criança e decidimos fazer arte de gente grande, “roubando” uma carroça que estava parada diante da casa de um vizinho.

“Ricardo (é assim que minha família me chama), vamos “roubar” essa carroça para dar uma volta?”, disse ela, sem esperar qualquer reação positiva de minha parte.

De imediato, contrariando sua imaginação, aceitei a proposta.

“É sério que você topa?”, voltou a perguntar, ainda sem acreditar.

Minha resposta foi novamente positiva, já caminhando em direção à carroça.

Sem dúvidas, deixei aflorar na mente meus tempos de infância. Mais ainda, aqueles que passei na fazenda Avanhandava, à margem direita do rio Tietê, em José Bonifácio.

Naquela época, a carroça fazia parte da minha vida e da maioria das crianças e adolescentes que dela usavam para ir até o ponto do ônibus que nos levava para a escola.

Minha casa era distante da sede. Por isso, todos os dias, um dos tratadores do haras da fazenda se encarregava de buscar a mim e minha irmã. Era sempre uma diversão.

Diversão minha, lógico. Só que motivo de muita raiva para ela, que, na juventude, ficava incomodada quando a poeira acumulada nas madeiras da carroça sujavam sua roupa.

Moleque, nunca estive nem aí para sujeira. Pelo contrário. Parece que fazia questão de chegar bem sujo à escola. Talvez, para justificar que era mesmo da roça.

Só que dessa época também guardo frustrações. Nos sete anos que morei naquela fazenda, nunca tive a oportunidade e arrear sozinho um cavalo nem mesmo de prendê-lo a uma carroça.

Carroça que, por sinal, também nunca conduzi sozinho, dando a ela a velocidade que quisesse, fazendo o caminho que quisesse.

Felizmente, os anos se passam, a vida muda, e as oportunidades ressurgem em nossas vidas, de formas surpreendentes, como no último domingo.

A idéia de “roubar” a carroça não deu muito certo. Quando eu e minha tia já estávamos acomodados sobre ela, o dono apareceu.

Só que, para nossa felicidade, não deu broncas nem falou qualquer coisa que nos fizesse mudar de idéia.

Gentilmente, com simpatia peculiar de gente da roça, se ofereceu a nos acompanhar no passeio, como um simples passageiro.

O passeio se deu por poucas quadras da pequena Barbosa. Só que valeu demais à pena.

Depois de tantos anos, tive a certeza de que, apesar de até demorar anos, vontades são passíveis de realizações.

Com a rédea em mãos pude, enfim, “pilotar” sozinho uma carroça, como sempre quis na infância.

Feito criança, deixei-me embalar em apenas uma das vontades que adormecem em mim.

Como gente grande, fico com a certeza de que todas elas só esperam a vontade do tempo para se fazerem verdades.

APERTAR DE MÃOS
Quando lhe estender a mão, por favor, aperte-a.

Isso mesmo. Tenho meus motivos.

O toque, para mim, é um dos mais verdadeiros sinais de afeto, amor, respeito e educação.

Por isso, quando não me apertam a mão, entendo como indiferença, desprezo.

E por mais indiferente que uma pessoa possa tratar a outra, sinto tudo muito claramente quando dou a mão a alguém que se limita repetir o ato sem qualquer tipo extra de esforço.

Mão que não aperta é mão sem vontade. Sem vida.

E dar a mão a uma pessoa que não me corresponde é o mesmo que pegar em qualquer outra coisa. Até o gelo de uma maçaneta em dias de frio me satisfaz mais que uma mão sem seu apertar.

Por esse toque, penso ser possível sentir o outro. Seu calor, seu espírito.

Essa mão pesa à inércia, sim, é boba. E não aquela que se escorrega cheia de vontades por um corpo qualquer.

Pode até ser involuntário, mas é estranho.

E olha que não custa nada. Não gasta energia, não descasca as unhas nem mancha a pele.

Sendo sincero, vale mas que qualquer palavra, que qualquer olhar.

Apertar as mãos é uma necessidade.

E diante de tantas outras, certamente, a mais fácil de ser suprida.

Portanto, deixe-me sentir.
QUERO...

Quero muitas coisas na vida.


Coisas até bem simples, mas que se passaram há tempos. Coisas que me fazem falta, que quero de volta.


Quero coisas como o colo de irmã que Ellen Calemes sempre me dava em Araçatuba, com um ligeiro e delicioso cafuné para espantar a tristeza.


Quero tulipas e mais tulipas de chope com Liza Mirella, na padoca da Pompeu de Toledo, para desapertar o peito e queixar-se das encheções do dia.


Quero a loucura, inteligência e bebedeira da Alessandra Nogueira, amiga para todas as horas desde que de bom humor.


Quero os pudins de leite condensado que o Tilim levava para a redação sempre que voltada do almoço.


Quero comer caixas e mais caixas de morando com Karenine Miracelly, entre uma matéria e outra.


Quero ser importunado por Eloysa Morales, perguntando o que tenho de comer escondido na gaveta.


Quero a bondade e sinceridade do Deroci Camargo, me pedindo “vintão” para pagar a conta de luz que está atrasada.


Quero as pamonhas da mãe do Carlão.


Quero a tranqüilidade do Chico Trajano e seu sotaque nordestino cantando Tetê Espíndola.


Quero as gargalhadas do Xandão, provocando e divertindo quem encontra pela frente.


Quero a chatice do Valdivo Pereira.


Quero o mau-humor de Maira Cibele, sua inteligência e simpatia que poucos conhecem.


Quero de volta a amizade e os carinhos da Fernanda Mariano.


Quero olhar de novo para o Zé Marcos e ter a certeza de que, quando quer, ele é mala para caralho.


Quero o companheirismo do Thiago Hargreaves, amigo dos bons.


Quero a sabedoria de Fernando Lemos.


Quero os tubos de Herbalife do André.


Quero ouvir Mário Policeno dizer “ô lôco, meu!”


Quero conviver, de novo, com a calmaria do Marcelo Espinosa.


Quero o humor sarcástico do Marcelo de Souza.


Quero ver o Wesley se livrar dos melindres.


Quero o sorriso apaixonante da Ágatha Urzedo.


Quero abraçar Angélica Martins e pedir seu remédio de cólicas para curar minha dor de cabeça.


Quero encontrar com a Cris no corredor e a ouvir me perguntar qual será a balada do dia.


Quero, nesse mesmo corredor, sentir o perfume da Jucilene.


Quero parar na recepção, ficar conversando com a Daniele e poder imaginar novamente seu beijo.


Quero ver, de longe, o Marini coçando sua careca e dar muita risada disso.

Quero a doçura da Nathália Prado.

Quero chegar à recepção da Câmara, debruçar-me no balcão e ficar a observar o sorriso conquistador da Jéssica.


Quero entrar no gabinete do Mardegan e bisbilhotar sobre política.


Quero bater à porta do Dunga e ter a certeza de que faz silêncio só para não me atender.


Quero sentar-me à mesa do Marcelo Andorfato e ficar levantando informações para boas matérias.


Quero a beleza da Kiki.


Quero a esperteza e malandragem do novato vereador Marcos Salatino.


Quero até ouvir, de novo, as histórias do Maluly Netto em seus tempos jurássicos de política.


Quero encostar o umbigo no balcão do boteco mais sujo da Rodoviária de Araçatuba e lá comer o bolinho de carne mais delicioso da cidade.


Quero chegar no condomínio onde morava e comer pão francês com a salsichada feita pelo Oswaldão.


Quero dar cascudos no Fabinho e me deliciar com sua ingenuidade.


Quero ouvir, de longe, as modas de viola ecoando da caminhonete do Devinha Brutão.


Quero ver o Nelsinho chegando bêbado em casa, carregando garrafa do pior uísque da praça e dizendo “bebe aí, véio!”...

TAMBÉM QUERO...
 

Quero sentar-me às tardes de sábado, no Barril, e beber sem pressa e compromisso com meu grande amigo Mané.

Quero ver o Beto Jones esfregando as mãos e chamando qualquer um de “jow”.

Quero até ver o Mineiro comendo sua meia marmita e largando a louça suja sobre a pia.

Quero ouvir a voz rouca da Camila dizendo que gosto de qualquer tipo de música.

Quero sentir os beijos doces da Patrícia e perguntar-me por que não namorei de verdade aquela menina que tanto me quis.

Quero ligar para o Nelson, chama-lo de “Preto”, e ouvir suas lamentações por falta de dinheiro e mulheres. De preferência, sentados num boteco bem boteco.

Quero ter, cada dia mais, a certeza de que esse “Preto” é meu melhor amigo.

Quero lembrar dos tempos em que passava horas na companhia do Luisinho e do Márcio Japonês, tocando violão e atabaque em frente de casa.

Quero reviver as discussões com Lupércio e Cebola nos ensaios das peças de teatro que me metia a escrever.

Quero bancar o compositor de músicas católicas e ter a companhia do Luisinho inventando acordes.

Quero aquele Luisinho, sua inteligência, carência, fragilidade e homossexualidade sempre respeitada pela minha família, vivo novamente.

Quero reviver os tempos de cursinho e matar aulas para tomar uísque e vodka com os amigos no Lanchódromo.

Quero as aulas de português da professora Marly.

Quero ouvir o China me chamando de “animal” após corrigir meus textos no primeiro ano de estágio.

Quero pegar as muletas do Emerson para apostar corrida com Wilson Guilherme e suas pernas mecânicas, já que perdeu as carnais em acidente de trânsito.

Quero sair com Elaine Madalhano para gritar muito pelas ruas de Rio Preto.

Quero ver Alex Zancanner olhar nos meus olhos e me chamar de "podre", como fazia com qualquer um.

Quero ouvir Silvana Abreu dizer “dá licença, menino”, com sua voz toda fanhosa.

Quero me juntar a Anilson, Máximo, Fricote e Renatão e fazer churrasco nos fundos da Folha de Rio Preto, em pleno horário de trabalho.

Quero aprender com as loucuras do Cri e sua necessidade visceral por maconha.

Quero fazer macarrão para Nathália Ziviani e a receber em casa sempre que o Bentão insistir em não busca-la na rodoviária.

Quero passar horas teclando pelo msn com a Hellen Ventura.

Quero ser novamente jogado na piscina em festa de confraternização do BOM DIA.

Quero paquerar Karla Konda e atrair o ódio de Gicelli e Estela Ferreira.

Quero, por sinal, ter carinho eterno por Estela Ferreira.

Quero, muito, entender Estela Ferreira e sua mente brilhante..

Quero colo da Dona Maria e beijar sua boca em dia de festa.

Quero, um dia, ter a humildade e simplicidade do Seo Sergio.

Quero sempre amar minha irmã Elaine.

Quero voltar aos tempos de Sergio Ricardo Guzzi, obeso, e tentar imaginar o “magrinho” que sou hoje.

Falando nisso, quero voltar a comer lanches, pizzas e marmitex com Rodrigo Pereira durante aso edições do jornal Primeira Hora, na Rádio Tietê AM, em Araçatuba.

Quero ouvir o Waltinho trocando Tietê por Excelsior ao dizer o nome da rádio em pleno ar.

Quero a Gina do meu lado, com sua sensibilidade de criança, sensatez de gente grande e coração que só pede um pouco de carinho.

Quero continuar chorando quando sentir vontade.

Quero dar risadas com aqueles que me fazem bem.

Quero, para sempre, os amigos que fiz aqui no BOM DIA de Bauru.

Quero que seja eterna a amizade virtual de Clara Vanali, assim como suas dúvidas sobre crase.

Quero reviver os tempos de criança e ser amparado pelos braços do doutor Lélio, na Santa Casa de Marília.

Quero tudo da mesma forma, como vivi até hoje.

Quero jamais me condenar por saber que muito poderia ter sido diferente.

Quero, justamente, ser assim. Diferente feito cada respirar.

Minhas ou tuas?
Mãos tão minhas... Quando soltas, sorrateiras, divertem-se com o universo de palavras ao alcance de tão afoitos dedos. Quando travadas, cruzadas pelo medo, fecham-se feito ostras. Mas ainda assim são minhas... Hoje, porém, não é assim que me sinto. Penso que outros dez dedos aguardam por elas e por aquilo que foram capazes de digitar... Penso que outras idéias, em breve, vão se sobrepor às minhas, trilhando rumos inimagináveis... Correndo por estradas sombrias, de um abecedário obscuro. E então eu adoro. Adoro a possibilidade de ter minhas palavras tomadas por idéias alheias. Mesmo que isso signifique o fim da idéia primeira!
/.../
Só que idéia, até primeira, nunca chega a um fim. Idéia, sempre idéia. Mesmo que disfarçada num emaranhado de letras que pulam loucamente de um cérebro alucinado, dopado. Guiado a parir sentimento traduzido em palavras, num simples digitar a quatro mãos.
Meu Deus, quantos dedos para uma tão tímida inspiração? Que nada! Só idéia de que vinte valem mais que dez e que num único teclar se encaixam tantas mãos.
Mãos, desde já, tão nossas... Quando juntas, arteiras, divertem-se com um universo de frases impensadas, inesperadas, nada e ao mesmo tempo tão lúcidas. Significantes a alguns, insignificantes a tantos outros.
Idéia besta? Não, não! Idéia, sempre idéia. Mesmo que banal.

Escrito a quatro mãos: Sergio Guzzi e Elaine de Sousa
MAS, O QUE É FÁCIL?
Falaram, certa vez, que querer o fácil seria fácil demais.
Que difícil, mesmo, seria querer o quase impossível.
Mas, o que é esse impossível?
Tão comum e diário, impossível é não se deixar capaz o suficiente para superar dificuldades, problemas, crises.
E qual dificuldade maior que um simples respirar, viver?
Se respiro, vivo. Se vivo, posso.
Aos trinta, tenho lições suficientes – ou insuficientes, sei lá – para não me abater com cada tropeço, barreira.
E o impressionante é que não me canso.
Se bem que o físico se vai feito brilho ao apagar de luz.
Mas, feito luz, reacender me dá a certeza de que nada se acaba quando não a hora.
Aprender e saber lidar com tudo é o que vale.
E querer, para mim, vale mais que desistir.
O QUE A GENTE TENTA IMAGINAR...
Já me disseram uma vez que planejar o dia seguinte é coisa que não costuma dar certo.

Por mais otimista que seja, tenho de dar a mão à palmatória e concordar. Para isso, basta buscar na mente os últimos dias que tive. Foram, simplesmente, terríveis.

Primeiro, por saber que teria de trabalhar quando, pela escala de plantões, não deveria. Segundo, por querer imaginar algo que, realmente, não aconteceu.

Início da noite de quarta-feira, Márcio ABC, editor-chefe do BOM DIA, mechama a sua mesa e diz: “Guzzi, estamos com problemas. Dois repórteres em férias, um em licença maternidade e falta de gente para o plantão do fim de semana. Não tem jeito, você terá de trabalhar”.

A notícia caiu como balde de água fria. Fiquei mais estressado do que já sou. Nervoso de verdade.

Primeiro, porque já havia trabalhado no fim de semana anterior. Segundo, porque os planos eram outros. Iria para Itajobi, passar o fim de semana com Estelinha.

Não foi fácil. Mas, tudo bem, o caso foi superado.

Daí vieram os demais dias da semana. Matérias complicadas e mais matérias complicadas. Estresse. Até chegar o sábado.

Tudo corria bem até por volta das 18h30. Diante de meu computador, na redação, ouço no HT informações da Polícia Militar sobre o atropelamento do uma criança.

Nessas horas, o instinto fala mais alto. Da minha cadeira gritei por Cristiano Zanardi, fotógrafo que, comigo e Reinaldo Chaves, também enfrentava aquele fatídico plantão.

Sem saber ao certo o que acontecia, fomos ao Pronto-Socorro Central de Bauru, em busca de informações.

Logo que chegamos, dei de cara com um bombeiro e perguntei qual o estado da criança. Sua resposta foi sinal de que nada estava bem, de que tudo dava errado: “Não posso dar informação, fala com o tenente responsável pela viatura.”

Por uma porta de vidro, observamos tensão do lado de dentro. E tudo ficou mais tenso quando veio a notícia de que a criança havia morrido.

O desespero tomou conta. Parentes gritavam, outros choravam, outros erguiam as mão ao céu clamando a Deus piedade por uma criatura de apenas seis anos que acabara de partir dessa para outra, espera-se, melhor.

Confesso que não costumo temer enfrentar o fato no momento em que ele acontece. Porém, reconheço pagar as conseqüências depois, quando a matéria já está escrita e eu em minha casa, vivendo o baixar da adrenalina...
... O QUE SÃO OS DIAS
...Aquele sábado para mim foi terrível. Pior, só quando tive de cobrir acidente com seis mortes.

Não sei bem os motivos, mas costumo absorver muito problemas que envolvem crianças. Isso me derruba. Tal como a mãe daquele menino, que se jogou ao chão, sem forças, desesperada por algo até então imaginado em sua vida.

Não foi fácil. Mas, mesmo assim, tentei ser confiante de que o domingo de plantão seria diferente. Tanto que após o fechamento da edição, num bar da cidade, eu e Márcio ABC, que também estava de plantão, conversávamos sobre como seria o domingo.

“Não, Guzzi, plantão de fim de semana não costuma ter dois dias tão terríveis. Se no sábado tem muita coisa, o domingo costuma ser mais calmo”, dizia ele. Doce engano.

O domingo foi um dos mais terríveis. E nessa, tenho de tirar o chapéu para o Chaves. A praia dele não é cobrir assuntos policiais, mas, nesse domingo, arrebentou.

Escalado para entrar às 9h, logo de cara teve de se deparar com morte em penitenciária após tentativa de fuga. Depois, acidente com um morto e outro gravemente ferido. Para completar a amanhã, corpo de andarilho morto a pauladas achado em casa abandonada.

Isso tudo ainda não era nada. Preparado para entrar às 14h, tive de antecipar meu horário por conta de um chamado da Lílian Venturini, também na edição: “Guzzi, você está dormindo? Me desculpe, mas é que a casa caiu e você terá de entrar um pouco mais cedo. Pode ser?”, perguntava ela.

Sem negar, me antecipei e fui para o jornal. E logo ao chegar, vem do rádio da Polícia Militar a informação de uma pessoa baleada e outra criança atropelada. Dessa vez, uma menina de apenas três anos que até esse momento segue internada em estado grave na UTI do Hospital de Base.

Me veio à mente o filme do dia seguinte. De novo, eu e Cris corremos ao Pronto-Socorro. E acompanhamos tudo de muito perto. Desde a retirada da criança da ambulância, com máscara de oxigênio, até o desespero dos pais quando chegaram ao local.

Ver tudo aquilo me deixou estranho. Muito estranho.

E ainda não era o fim do dia. Com o passar das horas e chegar da noite ainda tivemos de correr atrás de informações sobre um pai morto em Itapuí, após 17 facadas dadas pelo próprio filho.

Depois, vieram um casal que, bêbado, decidiu brincar de se mutilar com facas, e um suicídio.

Chega, o domingo acabou...
... O QUE É A ROTINA
...Só que, em jornal, o dia seguinte deve ser esperado como, sempre, o pior.

E hoje foi.

Confesso que não segurei a onda como poderia, ou deveria.

E chorar ao ouvido da namorada foi o que me fez melhorar. As lágrimas rolaram na boa, sem vergonha, cheias de peso.

Nesta segunda-feira, começei minha terceira semana seguida de trabalho sem folga alguma.

Ao meio dia, vendo o jornal da Record, uma matéria me deixou abalado.

Nas imagens e nos offs, a maratona que uma mãe de Brasília teve de enfrentar para conseguir trazer seu filho até Bauru, para tratamento em um dos hospitais mais especializados da América Latina em anomalias e imperfeições humanas.

Carlos Eduardo tem só dez meses de vida. E se Deus permitir que, um dia, possa contar de alguma forma sua história, certamente, dirá que viveu uma nova vida a cada 24 horas.

Portador de duas síndromes raras para medicina, nasceu com deformações que chocam qualquer pessoa que o vê.

Ele tem má formação craniana. Não respira por boca e nariz, apenas por uma traqueostomia feita na garganta. Não bastasse, é cardiopata, depende de remédios e mais remédios para sobreviver, e também tem deformações nos rins.

Diante de tudo, é o tipo de criança que todo mundo se pergunta como ainda vive. Pergunta que só Deus pode responder.

Pelas imagens que vi na tevê, não consegui esconder que faltavam forças para encarar de frente aquelas cenas novamente. Por mais acostumado com imperfeições que eu seja, simplesmente, não consegui.

O máximo que pude fazer foi conversar com a mãe da criança e admirar sua luta. Luta de mãe.

Não bastasse os problemas do filho, a vida pessoal daquela mulher é o que pode-se chamar de desgraçada.

Aos 27 anos, ela se vê desempregada como doméstica, sem dinheiro e dependente das doações que lhe são feitas.

Só que, nem por isso, se faz fraca. Desde o nascimento de Carlos Eduardo, perdeu 15 quilos até chegar aos 30 de hoje...
... O QUE É A VIDA
...“Faltam forças, moço”, disse ela. “É difícil aceitar. Mas é meu filho. Não penso que tudo isso pode resultar na sua morte. Meu sonho é que ele tenha uma vida como criança comum. Que possa ir para a escola sem que ninguém olhe para ele e dê risada”, completa.

Toda entrevista aconteceu dentro da capela do hospital onde o pequeno Carlos Eduardo está internado. Outra coisa que mexeu comigo.

Enquanto a assessora de imprensa do hospital acompanhava o fotógrafo Luiz Cardoso até o leito onde a criança esta acomodada, tirei um tempo para falar com Deus.

Foi uma conversa fria da minha parte. Cheia de culpa pelas dívidas que acumulo há anos. Mas, a intenção foi das melhores, posso garantir.

Pedi a ele apenas que mantivesse as energias daquela mãe. Que fizesse por ela o mesmo que fez por minha mãe quando comigo teve de enfrentar saga muito menor.

Até porque, a saga da mãe de Carlos Eduardo é incomparável. Até porque, só no último domingo, ela teve de enfrentar nada menos que a rejeição de duas companhias aéreas que se recusaram a transportá-los até Bauru, por falta de estrutura de UTI nos aviões que poderiam garantir sobrevida ao pequeno em caso de emergência.

A solução veio graças a um serviço da Força Aérea Brasileira, chamado Missão Misericórdia, que dispõe de avião equiparado para tal.

E assim, Carlos Eduardo chegou a Bauru e ao Centrinho. Cidade e hospital que podem fazer a diferença na sua tão difícil luta de vida.

Luta de esperanças.

Luta onde os segundos fazem a diferença.

Luta onde o colo da mãe é o respirar que falta, o pulsar do coração que fortalece, o filtrar dos rins que o purifica.

Luta que me faz sentir vergonha da fraqueza que sinto quando tão despreparado para lidar com as coisas da vida.

Vida que, de verdade, pouco sei.
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